
Me pergunto, "qual é o meu lugar no mundo?"
Achava que tinha essa resposta. Jurava que era a minha cidade natal, onde vivi toda a vida, onde cresci, fiz amigos, criei laços muito fortes. Hoje percebo que não! Talvez ela tenha se tornado pequena demais pra mim.
Só a partir do momento que a deixei percebi o quanto precisava dela, o quando sentia por ela, não pela cidade, mas pelo lugar. O lugar visto não como espaço físico e sim como espaço de interrelações entre o sujeito e o ambiente em que vive na forma de um elo afetivo que despertam sentimentos de identidade e de pertencimento no sujeito [Conceito de Lugar: pra não dizer que o tempo na Geografia não me ensinou nada!].
Pois bem, quando o deixei pela primeira vez senti que ali era o meu lugar, não conseguia ficar tanto tempo longe, não me acostumava à distância prolongada [a verdade é que não o deixei, era apenas como se saísse e voltasse rapidinho]. Isso me fez mal, me privou de um maior crescimento, ou não, as obrigações também me prenderam aqui. Mas mesmo ao fim delas não consegui mais mudar o que já havia se tornado um vício.
A decisão de retornar de vez ao "meu lugar" foi difícil, torturante, sensação de atraso, regressão, decepção, vergonha. Mas as vezes precisamos dar um passo para trás para podermos dar dois para frente. E foi o que aconteceu...
Uma grande vitória! Um outro destino! Um novo Desafio! Uma distância ainda maior! Estou agora muito mais longe do que eu achava ser o meu lugar. Mais longe na distância como também mais longe no tempo. Os reencontros ficaram menos constantes, a ausência passou a incomodar demais, contei os dias até o retorno. E quando finalmente retornei, percebi o quanto estava enganado.
Percebi que o que achava ser o meu lugar, passou a ser lugar de outros, percebi então a dinâmica do lugar. [acho que finalmente pude ver na prática conceitos chatos que nunca entendia geograficamente! hihi].
Me senti deslocado, o que me prendia ali já não estava mais, e se estava, já não era mais como antes. Tudo havia mudado, só o meu pensamento ainda não.
Tudo isso me fez refletir sobre como as coisas são passageiras nessa vida, e que não devemos esperar que um momento se repita. Cada momento é verdadeiramente único. Não podemos parar no tempo!
Em fim pude cortar o cordão umbilical que me prendia a esse lugar, e vi que ele se tornara pequeno pra mim. A distância que pensava ser vilã, se mostrou amiga.
Hoje me sinto como parte da história daquele lugar, e o vejo como um lugar de lembranças que devem ser revividas de tempos em tempos, que nunca serão esquecidas, mas ciente de que tudo aquilo que ficou para trás, ficou para trás...
É hora de encontrar e se firmar em um novo lugar, o meu lugar.
Se antes via o mundo como algo distante e inatingível, hoje quero ganha-lo.

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