segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um lugar...


Me pergunto, "qual é o meu lugar no mundo?"

Achava que tinha essa resposta. Jurava que era a minha cidade natal, onde vivi toda a vida, onde cresci, fiz amigos, criei laços muito fortes. Hoje percebo que não!
Talvez ela tenha se tornado pequena demais pra mim.

Só a partir do momento que a deixei percebi o quanto precisava dela, o quando sentia por ela, não pela cidade, mas pelo lugar. O lugar visto não como espaço físico e sim como espaço de interrelações entre o sujeito e o ambiente em que vive na forma de um elo afetivo que despertam sentimentos de identidade e de pertencimento no sujeito [Conceito de Lugar: pra não dizer que o tempo na Geografia não me ensinou nada!].


Pois bem, quando o deixei pela primeira vez senti que ali era o meu lugar, não conseguia ficar tanto tempo longe, não me acostumava à distância prolongada [a verdade é que não o deixei, era apenas como se saísse e voltasse rapidinho]. Isso me fez mal, me privou de um maior crescimento, ou não, as obrigações também me prenderam aqui. Mas mesmo ao fim delas não consegui mais mudar o que já havia se tornado um vício.


A decisão de retornar de vez ao "meu lugar" foi difícil, torturante, sensação de atraso, regressão, decepção, vergonha. Mas as vezes precisamos dar um passo para trás para podermos dar dois para frente. E foi o que aconteceu...


Uma grande vitória! Um outro destino! Um novo Desafio! Uma distância ainda maior!
Estou agora muito mais longe do que eu achava ser o meu lugar. Mais longe na distância como também mais longe no tempo. Os reencontros ficaram menos constantes, a ausência passou a incomodar demais, contei os dias até o retorno. E quando finalmente retornei, percebi o quanto estava enganado.

Percebi que o que achava ser o meu lugar, passou a ser lugar de outros, percebi então a dinâmica do lugar. [acho que finalmente pude ver na prática conceitos chatos que nunca entendia geograficamente! hihi]
.

Me senti deslocado, o que me prendia ali já não estava mais, e se estava, já não era mais como antes. Tudo havia mudado, só o meu pensamento ainda não.


Tudo isso me fez refletir sobre como as coisas são passageiras nessa vida, e que não devemos esperar que um momento se repita. Cada momento é verdadeiramente único. Não podemos parar no tempo!


Em fim pude cortar o cordão umbilical que me prendia a esse lugar, e vi que ele se tornara pequeno pra mim. A distância que pensava ser vilã, se mostrou amiga.


Hoje me sinto como parte da história daquele lugar, e o vejo como um lugar de lembranças que devem ser revividas de tempos em tempos, que nunca serão esquecidas, mas ciente de que tudo aquilo que ficou para trás, ficou para trás...


É hora de encontrar e se firmar em um novo lugar, o meu lugar.


Se antes via o mundo como algo distante e inatingível, hoje quero ganha-lo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Insatisfação

É normal esperar mais de algo ou alguem e depois decepcionar-se.
É normal esperar muito do futuro e depois ver que o planejado não deu certo, você pode empurrar com a barriga e levar uma vida insatisfeita, ou ir em busca de mudança para o seu futuro, talvez mudar o caminho, quem sabe o companheiro(a) de caminhada, talvez mudar algo em você, e ainda desistir da caminhada [que também é um caminho].

É da vida, estamos propensos a isso, nossos planos de vida são falhos e estão a mercê da vontade de Deus, para quem nele acredita.

Ultimamente tudo parece bem, muito bem por sinal, a vida melhorou muito nos ultimos anos, alcançamos estabilidade financeira, todos temos saúde, cursamos uma boa faculdade, um curso com bom retorno, não nos falta amigos para se divertir nem mulheres para curtir. Uma vida boa.
Ainda não chegamos no futuro que almejamos, mas nos encaminhamos para ele, ao menos é o que parece.
Tudo no lugar, tudo dando certo, mas ainda assim não é o suficiente, o que falta não sabemos, só que a insatisfação bate a porta constantemente.

Ao menos nesses momentos surge sempre inspiração para algo novo, para ir em busca de algo, não se sabe o que, mas dá vontade de buscar respostas. As vezes até algo extremo como ir em busca da morte, só que a morte seria o fim e depois não teria graça, na verdade não teria depois. Chegamos ao ponto de estar insatisfeitos até com a morte[ que ela não me ouça e venha aqui querer me agradar!].

Busco explicações para essa "insatisfação crônica" e isso sempre me remete a falta de alguem para me dividir, talvez seja isso que esteja faltando, ou não, não sabemos ao certo.
O que sabemos é que enquanto não encontramos respostas lembramos sempre do que nos foi dito por uma grande mulher lá do alto de toda a sua sabedoria parafraseando alguma mensagem daquelas bem brilhantes e com música de fundo do orkut:

"Tenha sempre em mente onde você quer chegar.
Não se desvie dos seus objetivos.
Viva intensamente o presente, mas criando bases
sólidas para o seu futuro."

Enquanto isso vamos vivendo, os momentos de insatisfação são mais curtos do que os de felicidade mesmo. A partir do momento em que colocarmos a cabeça no travesseiro e não conseguirmos dormir, ai sim devemos nos preocupar com isso.

Na verdade, quando tudo parece bem, é justamente quando você pára, pensa e vê que toda a beleza de um bom momento já não é mais o que você quer. Mais uma vez aqueles pensamentos conhecidos estão se passando pela sua cabeça... a insatisfação toma conta.

É claro que passa. Mas sempre volta...


Talvez seja apenas falta do que fazer...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Do Lucas, Do Filé e Do Todo...

Inicialmente apenas um apelido de mau gosto, que só após alguns anos do seu surgimento passou a ser notado como não só um apelido, mas como uma outra forma de pensar dentro de um mesmo ser...
Percebo os dois como Antíteses em seu comportamento, não que um seja bom ou ruim, não que um seja melhor ou mais legal que o outro, mas os vejo como duas formas de se escolher um caminho...

• O Lucas...

Esse sempre foi muito tímido, desde a infância e continua sendo. Timidez, insegurança, dúvida, pensar demais, sempre foram características marcantes dele. Sempre foi torturante dar um simples "Bom Dia!", pois antes disso se pensava mil vezes em como falar, que tom de voz usar, se deveria falar sério ou sorrindo, um exemplo simples e marcante dessas características citadas acima. Está sempre preocupado com a opinião alheia, tentando agradar a todos.
A parte sentimental e sensível do todo está sobre os seus ombros. É difícil pra ele lidar com isso, talvez até impossível, o lado mais inseguro não está preparado para lidar com sentimentos ruins, decepções, traições, injustiças, etc., ele sempre absorve tudo intensamente, sejam sentimentos bons ou ruins. Quando é bom ele quer se jogar de cabeça, quando não, ele quer fugir.
No Lucas se encontra a essência do todo, todos os pensamentos puros e retos estão com ele. Essa é a parte que sonha que acredita, um sonhador isso define bem esse lado, buscando sempre o bem, não só para ele como a quem está ao seu redor, incapaz de fazer mal a alguém, é aqui que se encontra a compaixão, o carinho, o amor ao próximo, a caridade, a honestidade [exemplo deixado pelo Pai] , o companheirismo ,a fidelidade, a pureza, o patriotismo [fazendo alusão a algo que parece que foi criado para o lado Lucas], a responsabilidade, a pontualidade, o respeito para com o outro, e talvez tudo aquilo que você pode esperar de um cara rotulado como "certinho", ah! Esse é o Lucas!
Porém esse é o lado triste do todo. De pensamentos deprê, não que ele queira se matar, ao contrario, ele ama a vida e espera muito dela, mas é o que o agrada, uma música de letra pra baixo, melodia lenta, que fale de sentimentos, um vinho e quatro paredes só pra ele, as vezes tudo o que quer é ficar sozinho.
Não deveria ser, mas é... Esse é o lado insatisfeito do todo... Por quê?...Ora, Por que... Como já disse Raul:

"Hoje eu sei!
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez
Uma vez...”.


É... Esse é o lado que já provou desse tal de Amor, e hoje não se satisfaz vivendo sem ele, mesmo estando tudo nos conformes, nada fora do lugar, todos os seus planos ocorrendo exatamente como estavam no planejado, ainda assim não está perfeito, falta algo, algo para encher, algo para completar, e ele sabe o que falta, pelo menos imagina que seja isso, esse tal de amor.
O Lucas se contenta com pouco, consegue mesmo ser feliz com pouco, coisas simples pra ele fazem diferença. O Lucas é o homem de uma mulher só, que amaria uma única mulher para toda a vida e iria tratá-la bem do começo ao fim, pois ele só quer alguém pra se dividir e seguir o caminho da vida [ter um emprego fixo, casar, constituir família, envelhecer juntos e morrer velhinho], pensamentos simples e monótonos [Mulher de sorte, se pensasse como ele e quisesse levar uma vida sem aventuras].
Daí o Lucas é só um cara chato, certinho demais, seguidor de regras, apesar do bom coração, um cara chato...

Porém, ainda bem que existe o Filé pra completar esse todo!

• O Filé...

A outra parte do todo surge no ano de 2003, a partir da história do post anterior, mas ele só começa a ser percebido no ano seguinte. A partir daí o Filé se consolida e começa a influenciar o todo.
O Filé, ao contrário do Lucas, não é nada tímido, é totalmente seguro de si e pensa somente o necessário antes de falar e agir, quando pensa.
Esse pode ser considerado como a parte mais "curtição" do todo, mais "nem ai" para as coisas, não se importa muito com o que dizem, com o que pensam ou vão pensar, não quer agradar aos outros, mas a si mesmo, ele quer estar feliz com ele. Pensamentos que o engrandecem e o encorajam estão sempre se manifestando desse lado "Eu sou", "Eu consigo", "Eu faço", "Por que não tentar?", etc., como já disse, ele é totalmente seguro de si e da sua capacidade, atitude e coragem não falta ao lado Filé.
Aqui o Amor-próprio e o Orgulho imperam, praticamente comandam. É difícil vê-lo dar o braço a torcer, é adepto convicto daquela idéia de "O segredo é não correr atrás das borboletas...", para tudo na vida, seja para amigos, seja para amores, para ele o interesse é do outro.
Se o Lucas é um homem de uma mulher só, o Filé é um amante. Ele se apega muito rápido a alguém, e na mesma velocidade ele desapega, porém ele aproveita ao máximo, ele curte o momento, se entrega de verdade. Mas, a questão está na velocidade da "reação". Ele não quer só se satisfazer, quer satisfazer ao outro também. O Filé é o tipo pra ficar, ele vai dizer tudo que alguém quer ouvir, vai te deixar pra cima, por um momento vai te fazer muito bem, e bem a ele, pois se sente bem fazendo isso, e num outro momento ele some. A intenção não é machucar ninguém, iludir, sacanear, se aproveitar, nada disso, a intenção é pura e simplesmente aproveitar o que poderia ser um bom momento.
O Filé geralmente é encontrado num ambiente que combine música alegre e alta, bebida e muita gente, ele tem uma relação muito grande com esse tipo de ambiente, talvez sejam nesses momentos que ele se sobrepõe ao Lucas. Dizem que a bebida faz a pessoa perder a timidez, nesse caso, a bebida deixa um dos lados em evidência.
O Filé é a parte mais alto astral do todo, ta sempre para o que der e vier, ele quer mais é aventura, emoção, riscos, sem pensar muito nas conseqüências [que geralmente sobram para o Lucas], ele sempre quer mais, não se cansa, esquece do mundo e vai curtir a vida deixando tudo para amanha de manha! Está sempre rodeado de amigos ou pseudoamigos, sabendo separar bem estes, sempre do lado de quem te faz bem, de quem te diverte...

Seria o tipo irresponsável, se não fosse o Lucas...

• Do todo...

Talvez alguém que conviva com o todo não tenha reconhecido nenhuma das duas partes por completo, ai está a questão...
Um lado completa o outro, o que vocês conhecem, é justamente o equilíbrio dessas duas formas de pensar. A cada momento a balança do equilíbrio tende para um dos lados, a depender do momento, é claro...
O Filé deu mais segurança ao Lucas, deu mais coragem, abriu caminhos, com isso vieram mais amigos, amigas, paixões, amores e desavenças também...
Só que o Filé também depende do Lucas, o Lucas é a ponderação do Filé, o Filé é a atitude do Lucas, o Lucas é a responsabilidade do Filé, o Filé é a malícia do Lucas, etc.
Peço que não pensem no todo [Lucas Filé] como uma das partes, pensem na interseção (U) [eu sei que a interseção tem como símbolo o U de cabeça pra baixo, mas não consegui o simbolo, entao entendam simbolicamente] , ou seja, {Lucas} U {Filé} = {Lucas Filé} , uma influencia na outra, a outra influencia na uma, e ambas constituem o todo, um todo de uma antítese que não se percebe.






1. O que sei é que nunca consigo passar para alguém o que eu realmente sou, ou acho que sou, talvez daí eu tenha inventado toda essa baboseira para justificar o fato de eu ter um comportamento diferente do que eu afirmo ter, ora faço a coisa certa, ora faço merda e decepciono alguém.

"Não é o que você é por dentro, mas o que você faz que te define"

domingo, 28 de junho de 2009

A Origem do Filé

Sempre tive vontade de criar um blog, mas sempre tive vergonha de escrever meus pensamentos para pessoas desconhecidas, na verdade tenho vergonha mesmo é das pessoas conhecidas. Tá, criei coragem, quebrei essa barreira e não poderia escolher melhor texto para inaugura-lo do que uma das histórias mais contadas da minha vida, a origem do Filé!
Bem... Apesar de muita gente se iludir com o apelido "Filé", ele não se refere a nada do que pensam a primeira vista, e digo que está bem longe disso. Hoje eu o aceito, mas no começo não era assim...

Vamos a história...

Tudo começou quando meu irmão, que sempre foi chato pro lado de comida, nunca foi de comer de tudo, inclusive o prato mais comum na mesa do brasileiro, o nosso arroz com feijão, justamente nesse dia ele não queria comer o feijão do almoço. Ele fez o maior showzinho e minha mãe pra deixa-lo mais contrariado ainda, disse: "se voce quiser eu faço um filezinho de frango" e ele não gostava disso tambem, dai ela ficou pertubando ele com o: "filezinho de frango!" e eu aproveitei para pertubar tambem.

Num outro dia eu cheguei do colégio cansadão no horario do almoço, nesse dia minha mãe fez fígado para o almoço, algo que eu nunca fui fã, e eu não tava afim de comer, então meu irmão lembrou do outro dia que eu o pertubei com a historia do "filezinho de frango" e aproveitou pra pagar na mesma moeda e ficou me pertubando com o: "quer filezinho de frango?", e nesse determinado momento chegou um amigo la em casa e viu ele me sacaneando com essa historia. Dai fudeu... esse amigo achou muito engraçado e passou para os outros amigos.

Nessa mesma época eu tinha passado na EMARC e rasparam minha cabeça no trote, e sempre que eu voltava do EMARC minha careca suava muito. Então aquele amigo lembrou da historia e começou a pertubar: "o filezinho de frango ta fritando!". Daí foi questão de tempo para o apelido pegar no colegio. No inicio era "Filé de Frango", eu não gostava muito, na verdade odiava, só que levava na esportiva, fingia que tava tudo bem pra a galera parar, não deu muito certo. Com o tempo o "Filé de Frango" tava muito longo pra falar e começaram a abreviar e chamar apenas de "Filé", a partir dai eu comecei a aceitar o apelido, começava a achar legal a historia do filé, achei que faria sucesso...hihi...

Logo o apelido que era só entre o pessoal do colegio começou a ultrapassar os limites da EMARC e foi se ampliando aos novos amigos e amigas que conhecia, ninguem me apresentava mais como Lucas, era sempre "esse é meu amigo Filé!" geralmente seguido de "Hummm! Filé é?" , acho que por essas reações eu passei a adotar o apelido!hihi...Não sabendo elas o porque do Filé, deixa subentendido!

Hoje sempre me surpreendo com pessoas que convivem comigo a um certo tempo e não sabem que me chamo Lucas!

Bem, há quem ache a história engraçada, talvez até ridicula, mas uma coisa é certa o "Filé" mudou minha vida!

Hoje inicio esse Blog tentando descobrir até onde vai a personalidade do Filé e do Lucas, até onde uma influencia no outro e ate onde um completa o outro, recentemente descobri que vivo duas personalidades diferentes, dois pensamentos, talvez opostos, em um só corpo... O Filé e o Lucas...